A resiliência das pessoas tem sido uma competência muito exaltada no meio corporativo e em todas as esferas onde o ser humano é o fator determinante para o alcance de resultados.

A questão, no entanto, merece uma análise mais cuidadosa, ampliando nosso entendimento sobre o que é o espírito de resiliência.

Afinal, se me permitem uma provocação, a grosso modo podemos dizer que o João Bobo, aquele boneco que leva tapas, socos, pontapés e todo tipo de agressão e sempre retorna à posição inicial para apanhar novamente, também é resiliente.

Mas este não é bem o modelo ao qual você deseja ser comparado, certo?

Passivo, inerte, solitário e imperturbável.

O verdadeiro poder da resiliência

Pessoas resilientes de verdade não se assemelham em nada ao João Bobo passivo, inerte, solitário e imperturbável.

Elas aprendem a administrar sua vulnerabilidade desenvolvendo a habilidade de resolver problemas, admitindo a necessidade de pedir ajuda, buscando apoio em seu núcleo social, tecendo conexões com outras pessoas, amigos e familiares.

Pesquisas demonstram que estas pessoas cultivam a espiritualidade – aqui entendida como a consciência de que somos interdependentes e estamos todos conectados por uma força maior do que a soma das partes – investindo em relações interpessoais baseadas no amor e na compaixão.

Desta forma, cultivam a esperança, não como emoção abstrata, mas como atitude mental positiva em que a persistência pode ser assim retratada: eu sei onde quero chegar, eu sou capaz de planejar a forma de atingir meus objetivos, eu acredito que posso fazer isso e eu sei a quem posso pedir ajuda.

Abrindo parêntesis, se você também é Coach, deve ter percebido que esta atitude mental pode ser treinada e aprimorada em processos de coaching: a partir do cenário atual (ponto A) definir objetivos (ponto B), identificar oportunidades, remover barreiras, trabalhar forças e virtudes, buscar parcerias, empoderar e empoderar-se – o que interessa a pessoas, times e organizações.

E se empoderamento é uma das palavras que estão no auge, representando o oposto da impotência, importa destacar que deve ser entendida como a habilidade de realizar mudanças.

Este é o poder do qual falamos.

Muitos de nós seguimos impressionados e oprimidos pelo ideal praticamente inalcançável de sucesso, beleza, padrão e desempenho veiculados em anúncios, séries, peças de marketing, redes sociais, etc., que nos iludem e reforçam nossa sensação de “não sou bom o bastante”.

É quando corremos o risco de adotar mecanismos de fuga e entorpecimento para minimizar o desconforto da vulnerabilidade, comendo, bebendo, jogando, trabalhando, falando ou gastando demais.

E é justamente esta a hora de vivenciarmos nossa espiritualidade, utilizando os recursos de nossa dimensão noética (como diria o médico psiquiatra austríaco Viktor Frankl) para encontrar o sentido que nos impulsione a seguir em frente, sem abrir mão de nossa autenticidade, através das conexões positivas, da nossa visão crítica, da força da esperança e de nossa capacidade de autotranscendência, que nas horas mais adversas revela nossas luzes interiores.

Resilientes, sim! João-Bobos, jamais!