Uma venda, uma negociação, um atendimento – não importa – é sempre gente lidando com gente.

E a forma como uma pessoa atua, atende, argumenta, age, reage, enfrenta as situações depende fortemente de seu estado interior.

Por isso não adianta tentar se enganar: se você realmente deseja ter sucesso em vendas e como empreendedor terá que prestar muita atenção em si mesma e tentar tomar consciência do ponto a partir do qual observa o mundo e decide como atuar na vida.

Parece simples, mas não é nada fácil.

Geralmente estamos conscientes sobre o que fazemos. Quase sempre temos uma boa noção sobre a forma como fazemos. Mas, muitas vezes estamos inconscientes da origem da nossa atenção e da nossa intenção por trás do que fazemos, ou, em termos mais simples, nem sempre sabemos por que fazemos o que fazemos da forma como fazemos. É o nosso ponto cego.

Você sabe o que são paradigmas?

São as lentes através das quais a gente vê o mundo, mesmo quando não temos consciência delas – e quase nunca temos.

E o que isso importa?

É simples: os resultados que obtemos dependem do que fazemos e da maneira como fazemos; e a maneira como fazemos o que fazemos depende da forma como vemos as coisas, ou seja, de nossos paradigmas.

Eu vejo o mundo “desta forma” e por isso ajo “deste jeito”.

Portanto, se você não está satisfeita com os resultados que tem obtido, muito provavelmente terá de atuar sobre os seus paradigmas – a maneira como vê a vida, o mundo e as pessoas, incluindo você mesma.

Se você vê o mundo pelas lentes do vitimismo, por exemplo, tenderá a achar que pessoas e situações conspiram contra você o tempo todo.

Desta forma, se colocará na defensiva, evitará os mínimos riscos, não conseguirá construir relacionamentos maduros e verá em cada pessoa uma possível ameaça.

Agora responda: você imagina uma vendedora desenvolvendo todos os seus potenciais e construindo uma boa rede de relacionamentos com um limitador desta envergadura gritando em sua mente e oprimindo seu coração? Você percebe como esta pessoa se encolherá frente à vida e sempre tenderá a procurar desculpas e pretextos externos para o seu desempenho medíocre, deslocando de si a responsabilidade pelos seus resultados?

Paradigmas são o mapa mental que adotamos para navegar na vida.

E o que isso importa?

Mapas são representações de um território, mas não são o território em si.

Se a gente esquece disso, acaba levando mais a sério o mapa que o território. Só que estes mapas são desenhados por nós, construídos por nossos sentimentos e pensamentos, coloridos por nossas crenças e nem sempre retratam fielmente a realidade.

Você já deve ter ouvido casos em que o motorista se guiava por um GPS cujos mapas estavam desatualizados e acabou se metendo em sérios problemas.

Confiar cegamente em nossos paradigmas ou, pior do que isso, mantermo-nos inconscientes de que eles existem e orientam nossas ações, pode nos levar a caminhos indesejados.

Imagine um empreendedor que construa sua ideia de negócio baseado em paradigmas que não correspondam aos novos tempos e aos novos perfis dos consumidores. Ele tem na mente um falso mapa do mercado que não corresponde ao mercado em si. Isso não vai dar em boa coisa, com certeza.

Se fôssemos aprofundar ainda mais este tema, poderíamos escrever um livro, mas esta não é nossa proposta.

Importa que você saiba que há gatilhos que são ativados sem que você tenha consciência deles, baseados em seus paradigmas e crenças internas, e que direcionam a sua forma de agir.

Eles podem ajudar ou atrapalhar muito, dependendo da sua natureza. O certo é que, por tabela, são eles que determinam os seus resultados e afetam as suas conquistas.

Não é por acaso que a máxima “conhece-te a ti mesmo” atravessou os séculos.

Precisamos estar mais em contato conosco, meditar mais, criar espaços de silêncio e desconexão eletrônica para favorecer a conexão com nosso Eu Maior, nosso Self 2, nosso Deus interior – ou seja lá qual for o nome que você prefira dar a isso.

Recebemos uma série de influências, fomos e somos submetidos a diversos tipos de condicionamentos, cristalizamos conceitos, alimentamos crenças, adotamos algumas soluções e reações “padrão” que nos serviram em algum momento da vida e hoje estão absolutamente fora do contexto (mas continuamos lançando mão delas).

Por que você age assim ou assado? Por que a mesma frase dita por uma pessoa te faz rir e, quando dita por outra, te irrita profundamente? Por que a atitude daquele cliente te faz perder o controle emocional? Por que uma crítica te afeta tão negativamente? Por que você não aceita elogios? Por que não admite lutar pelos seus direitos? Por que se acha “o cocô do cavalo do bandido”? Por que não acredita nas pessoas? Por que não acredita em você? Por que vê tudo tão negativamente? Por que acha que todo patrão é um explorador? Por que considera que todo empregado é um malandro? Por que você foge de você?

Cada um encontra sua maneira de fazer esta jornada interior, com ou sem ajuda de amigos, mentores, mestres ou profissionais da psicologia, por exemplo.

O encontro com certas verdades interiores pode ser incômodo a princípio.

Mas, deixar ir o que não serve mais ou o que nunca serviu de fato, desfazer-se de velhos modelos e prisões mentais, abrir-se ao novo, sem medo de encarar o futuro que emerge é profundamente libertador.

É uma das chaves do desenvolvimento do potencial humano, este baú de potencialidades que todos trazemos na alma.

Acredite em você, prepare-se e venda mais!

 

(imagens CrayonStock)