Esta pergunta me estimula há um bom tempo, desde que a vi sendo formulada por Otto Sharmer, em seu livro Teoria U.

Passei a rever todas as minhas experiências, sucessos e fracassos, a observar mais cuidadosamente as lutas alheias e buscar respostas na história, na filosofia, na psicologia, na neurociência, nas pesquisas, teorias e práticas sobre o desenvolvimento humano, nas religiões, na contemplação da vida em si.

A primeira coisa que aprendi é que a essência da resposta a esta pergunta é simples, mas não admite soluções simplistas.

Por que criamos um mundo que não desejamos?

A pergunta em si já nos dá uma ideia da complexidade do tema: parte do princípio de que nós criamos o mundo que se nos apresenta e nos leva a refletir sobre o fato de que nós sabemos qual seria o ideal, nós queremos um mundo bacana, mas criamos um mundo que não corresponde aos nossos anseios.

Ninguém entra num casamento para construir uma péssima relação. Ninguém começa um empreendimento para ser infeliz. Ninguém se torna gestor para levar seu time a situações desastrosas. Ninguém deseja sofrer um acidente de trabalho. Ninguém deseja magoar quem ama. Não desejamos viver em guerra nem gerar uma legião de famintos. Com certeza nenhum de nós quis tanta violência urbana, nem fica feliz ao ver milhões de refugiados andarilhos, feridos em sua dignidade e sem um lar para chamar de seu.

E, curiosamente, quando buscamos respostas, quase sempre apontamos para o outro, para o sistema, para uma solução externa pré-formatada, um novo modelo ou novos gurus.

Raramente perguntamos, como escreve Peter Senge no prefácio do livro citado, como o “eu” e o “nós” devem mudar para possibilitar uma mudança no sistema mais amplo.

Pois isto, voltando à provocação da pergunta, seria admitir nossa autoria e colocar nossa assinatura na base de uma tela que preferimos definir como não sendo criação nossa.

A boa notícia

A boa notícia é que aos poucos estamos alcançando a compreensão de uma visão mais integral do ser humano, o que nos permitirá construir soluções mais adequadas e coerentes com a vida e com o universo que nos cerca e do qual somos parte, para fazermos frente ao futuro que emerge.

Estudiosos de todas as áreas do conhecimento humano traçam caminhos que convergem, demonstrando que podemos ser melhores do que temos sido, que temos recursos para melhorar nosso diálogo, meios para sermos mais felizes, repertórios para enfrentar as crises e buscar o bem comum.

Cientistas vem demonstrando que somos naturalmente cooperativos, que colaborar nos deixa mais felizes, que nos dedicarmos a uma causa maior do que nós mesmos aumenta nosso bem-estar e nossa potência de agir.

Temos motivos para resgatarmos valores de uma simplicidade esquecida, que nos devolvam o prazer da vida em comunidade, que nos remetam a um sentido maior, e nos estimulem a viver uma vida mais significativa, contribuindo efetivamente para um mundo melhor.

Esta empreitada exigirá de nós o desapego dos velhos modelos mentais, a resistência à tentação de recuperar soluções antigas e surradas, que hoje já não cabem. Será necessário nos despirmos de condicionamentos fortemente arraigados. Pedirá mente e corações abertos e uma profunda vontade de chegar às melhores soluções, assim definidas por sua aderência ao bem da maioria – o que só é possível se houver Amor.

Quais são as propostas nesta direção? O que dizem os grandes estudiosos? O que provam as pesquisas? O que comprovam as experiências em andamento? Em que fontes beberemos este saber? Haveria uma fonte de sabedoria em cada um de nós? Que ferramentas podem nos ajudar nesta direção? Que forças e virtudes estão envolvidas? Todos podem colaborar?

É sobre estes e outros temas que conversaremos por aqui.

Seja verdadeiramente muito bem-vindo!