Continuaremos a conversar a respeito das grande lições extraídas do universo da aviação para gestores, líderes, técnicos de segurança e profissionais que não descuidam de sua carreira.

Em nossa postagem anterior abordamos os tópicos:

Comece com um plano em mente;
Analise o cenário e não perca de vista os indicadores;
Aprimore o trabalho em equipe.

Neste post focaremos na questão da interdependência.

Amplie sua visão sistêmica e boa viagem!

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Navegue no nível da interdependência

Stephen Covey, célebre autor americano, propõe uma escala de desenvolvimento humano que parte do estado de dependência, passa pelo da independência e atinge o ápice na interdependência.

A pessoa dependente não tem autonomia, depende da aprovação ou do aval do outro, não assume responsabilidades, frequentemente adota o papel de vítima, é insegura e carente. Precisa desenvolver-se, ser capacitada para avançar e conquistar a independência.

O líder que se fixou na dependência não cria sinergia, não desenvolve a eficácia de seu time, posiciona-se reativamente, favorece a política da bajulação e os jogos de poder.

O ser independente já é capaz de assumir o protagonismo em sua área de atuação, faz escolhas e responsabiliza-se por elas, desenvolve maior confiança, iniciativa e autonomia.

Quando excessivamente focado em si mesmo corre o risco de tornar-se centralizador, não empático e prepotente.

Geralmente é muito eficaz em nível individual, o que não quer dizer que seja um bom líder ou atue positivamente como membro de uma equipe.

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O líder independente, quando egocêntrico, tem dificuldade de ouvir o outro, aceitar críticas, rever posições, e de reconhecer a contribuição alheia ou as sensíveis conexões da sociedade em rede.

Desta forma, ainda que obtenha bons resultados, corre o risco de não atingir o nível de sustentabilidade e de sinergia que uma organização requer.

Covey diz que vivemos em uma realidade interdependente e por isso somente o indivíduo que chega ao estado de interdependência consegue criar relações mais profundas, desenvolver verdadeiramente o potencial das pessoas, obter o melhor que uma equipe pode dar, ciente de que junto pode fazer mais do que isoladamente.

Atuando conscientemente sobre as interações interdependentes de uma empresa, o líder que chegou a este estágio de maturidade atua com extrema congruência, é capaz de inspirar pelo exemplo, gerar ampla sinergia e construir um time altamente eficaz, alcançando resultados sustentáveis e aderentes ao princípio de que toda relação deve trazer ganho para todas as partes.

Encontramos na aviação uma perfeita ilustração desta realidade interdependente – uma fascinante e intrincada rede de conexões que se inter-relacionam, que se apoiam mutuamente e operam como um sistema vivo de alta complexidade, em que subsistemas se interconectam e interagem, influenciando-se reciprocamente.

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Para que uma aeronave pesando toneladas desafie a lei da gravidade e cruze o espaço aéreo, voando com segurança do ponto A ao ponto B, vários agentes, muitos saberes e inúmeras forças são combinadas.

O avião em si já incorpora as mais significativas conquistas da ciência em seu projeto.

Além dos aspectos aerodinâmicos, as aeronaves modernas possuem sistemas inteligentes que analisam e interpretam informações continuamente, alimentados por radares, centenas de sensores, e múltiplas fontes, que incluem sinais enviados por outras aeronaves e os dados inseridos pela própria tripulação, por exemplo. São a resultante de séculos de pesquisas, experiências e dedicação de muitos estudiosos, visionários, cientistas, técnicos, empreendedores, investidores, engenheiros, etc.

A máquina é maravilhosa, mas não dispensa a manutenção sistemática e constante. Quem estuda os acidentes aéreos sabe o quanto é importante o trabalho anônimo dos mecânicos. Como na Fórmula 1, piloto e mecânico estão em lados diferentes de um mesmo processo em que se busca bom máximo desempenho e alta segurança.

Uma aeronave não é um pássaro voando isoladamente. Milhares de aviões cruzam os ares diariamente e há regiões que apresentam grande volume de tráfego e até mesmo congestionamento aéreo, dependendo das condições climáticas, por exemplo, cuja interferência não pode ser negligenciada.

Para que tudo ocorra dentro da normalidade, órgãos de controle de tráfego aéreo, em terra, monitoram e orientam os pilotos, coordenam os diversos voos simultâneos, operando muitas vezes sob forte pressão e grande estresse, cientes de que muitas vidas dependem de sua atuação.

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Na cabine de comando, a tripulação também é interdependente. Embora caiba ao comandante a palavra final, copiloto, engenheiro de voo e comissários podem e devem contribuir, cada qual em sua esfera de atuação, para uma viagem tranquila.

Na história dos acidentes aéreos, como já vimos em várias postagens anteriores, verifica-se que alguns poderiam ter sido evitados com uma melhor interação e comunicação entre os membros de uma tripulação.

O comandante, como aquele líder interdependente que citamos, precisa manter a noção clara desta dinâmica e saber utilizar estes recursos e ferramentas absolutamente inter-relacionados: seu conhecimento, sua habilidade, o equipamento, os sistemas, as diversas fontes de informação, o contato com o controle de tráfego aéreo, a contribuição dos demais membros da tripulação, e fazer com que tudo convirja para um voo confortável e seguro.

Este é um resumo bem simplificado das diversas dimensões que interagem para que um voo seja possível.

Nosso objetivo é fazer analogia com nossas empresas e carreiras.

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Você é um colaborador com mentalidade interdependente? Sabe trabalhar em equipe, possui visão sistêmica, investe em networking, contribui, agrega, participa, sabe construir junto?

Você é um líder dependente, independente ou interdependente? Sabe ouvir, incentiva a participação, reconhece o valor do outro, conecta as pessoas e os recursos, faz o todo ser maior que a soma das partes, pensa ganha/ganha?

Sua empresa posiciona-se de forma a considerar a realidade interdependente do mercado e atuar em consonância com esta realidade?

Possui planejamento estratégico construído com a equipe, debatido e conhecido por todos? Cuida de seu posicionamento?

Respeita o concorrente? Negocia no quadrante ganha/ganha?

Sua empresa é uma empresa cidadã? Respeita o meio ambiente? Busca ações sustentáveis?

Até nosso próximo encontro e obrigado por escolher viajar conosco!