Peter Senge já dizia que sobreviveriam as empresas que aprendessem a aprender.

Esta condição é elevada à máxima potência quando se trata da indústria aeronáutica, em que a margem de erro é praticamente zero.

E nós também podemos aprender com seus erros e superações.

Vejamos agora algumas relações interessantes entre o caso em estudo e o cotidiano de nossas empresas.

( se você não leu as postagens anteriores sobre o voo Helios 522 clique aqui: O Inimigo Silencioso -Parte I e Parte II )

Uma das constatações durante as investigações foi a da dificuldade de entendimento entre comandante e copiloto.

O primeiro era alemão e o segundo, cipriota. Seu inglês era muito deficiente, mal servindo para a comunicação com os agentes de tráfego aéreo e menos ainda para o entendimento entre eles durante o grande estresse enfrentado desde o momento em que soou o primeiro alarme na cabine de comando.

Pelos registros do gravador de voz ficou evidente que este foi um dificultador.

Eis aí um primeiro ponto importante.

Lembro-me da história contada por um colega consultor que ao iniciar os trabalhos em uma empresa tocada por dois sócios que se consideravam muito amigos e sintonizados, propôs a eles que rascunhassem em um papel aquilo que consideravam ser a missão, a visão e os objetivos da empresa, ao que atenderam meio contrariados, principalmente quando ele pediu que o fizessem separadamente.

Ao final do exercício, para surpresa dos empreendedores, ficou evidente que nem mesmo os dois estavam alinhados, pois pensavam a empresa de forma quase que antagônica, o que estava se refletindo na gestão da mesma.

Em nossas equipes não é diferente. E talvez este seja um bom exercício para fazermos ainda hoje com nossos gerentes, com nossos pares, com nossos sócios, com quem dividimos alguma missão: será que estamos de fato remando na mesma direção?

Se não estivermos “falando a mesma língua”, esta gap será potencialmente catastrófico durante as crises.

Além disso, gestores não alinhados propiciam o surgimento de jogos de poder entre seus colaboradores, criando divisão, fomentando a dissidência e minando a sinergia da equipe.

Gestores, empreendedores, administradores, líderes precisam conhecer muito bem a linguagem do mercado onde atuam, para interpretar corretamente seus símbolos e seus sinais.

Da mesma forma, dominar a linguagem corporativa, falar a língua da empresa, compreender seus pares e explicitar claramente sua mensagem aos colaboradores, com os quais deve permanentemente compartilhar sentido.

A velocidade das soluções pode depender crucialmente desta competência.

A falta de alinhamento e a comunicação ineficaz podem se tornar inimigo silenciosos, minando recursos, desperdiçando tempo, reduzindo a produtividade, desestimulando a criatividade, destruindo o engajamento, e quanto mais tarde esta situação for percebida, maiores serão os danos.

Pense nisso e obrigado por escolher viajar conosco!