Esqueça aquela ideia de que alguns são criativos e outros não.

Se você cresceu ou conviveu com pessoas muito ativas, inventivas e originais talvez tenha se habituado a concordar com o senso geral que dizia que elas eram supercriativas e provavelmente tenha se convencido de que você não é.

Ou, se você era uma daquelas pessoas que viviam “inventando moda” e fazendo arte, talvez tenha se acostumado tanto aos louros e elogios que passou a se considerar um dos “iluminados’, privilegiado pelos dons criativos que possui.

Nem uma coisa, nem outra.

Somos todos criativos.

A criatividade e a imaginação são atributos do espírito humano, e assim como outras forças da alma, nem sempre se manifestam plenamente, sufocadas pela falta de oportunidade, pelo medo, pelo ressentimento, pela imaturidade, pelas crenças limitantes e condicionamentos diversos.

A energia criativa está em nós, que, de uma forma ou de outra, criamos o tempo todo.

Paradoxalmente, criamos, inclusive, os cenários mentais áridos e sombrios que nos sufocam a criatividade, como nuvens que nos envolvem e nos endurecem, provocando a triste ilusão de que não somos capazes.

E uma das mais poderosas “fábricas de nuvens” é a comparação.

Estudos no campo da Psicologia Positiva demonstram que a comparação social, por exemplo, afeta negativamente a percepção que temos da nossa felicidade, na medida em que analisamos o quanto somos felizes comparando-nos com a felicidade das pessoas ao nosso redor.

Por um lado, condicionados por padrões que nos são praticamente impostos, num mundo onde o diferente não é tolerado, desprezamos a nossa singularidade – aquilo que nos é próprio, único, original – simplesmente por não se ajustar às expectativas alheias ou não se enquadrar no que a cultura de massa valoriza, o que alimenta nosso complexo de inferioridade, inviabiliza o desenvolvimento de nossos talentos e nos afasta da Vida Plena.

Por outro lado, às vezes somos seduzidos pela aparente felicidade alardeada pelos outros, que vendem a ideia de uma vida perfeita e superinteressante nas rodas de amigos ou nos posts das mídias sociais: viagens, relacionamentos incríveis, festas e momentos sempre especiais. Nestas horas a vida do vizinho parece sempre mais intensa e interessante.

O peso da comparação é tão poderoso, que alguns dos experimentos realizados por cientistas sociais demonstraram que pessoas eram capazes de fazer escolhas aparentemente ilógicas, baseadas apenas na comparação. Durante os testes, preferiam optar por situações em que seu ganho pessoal seria menor desde que as pessoas da sua convivência também viessem a ganhar menos, para que assim não se sentissem tão em “desvantagem” em comparação aos seus pares.

Pare de se comparar e cultive a criatividade!

Está provado que as pessoas mais felizes simplesmente não se comparam aos outros, valorizam sua singularidade e cultivam sua criatividade.

Vidas “comuns” não são vidas “menores”. Pessoas com uma vida aparentemente “extraordinária” (palavra que está na moda para vender promessas de mudanças com mínimo esforço) também se angustiam, também sofrem, encaram rotinas desagradáveis e momentos nada glamorosos. Cada um tem sua dor – não se iluda.

Em nossa singularidade, naquilo que em nós nos é tão próprio, mora a contribuição original que podemos dar a este mundo.

E a criatividade não se expressa apenas pela arte.

A criatividade pode ser exercitada e desenvolvida em todas as coisas.

Conheço gestores supercriativos na forma como conduzem, reconhecem e motivam seus times. Tenho amigos que exercitam sua criatividade na culinária. Outros na forma como contam histórias, outros ainda nas brincadeiras que inventam para seus filhos e netos. Tenho uma grande amiga que inventa mil maneiras criativas de favorecer o desenvolvimento das crianças da ONG que ela preside.

Há quem seja criativo na hora de fazer pão, bolos, artesanato, costuras, bordados, jardinagem, exercícios físicos, passeios, palestras, festas familiares, no cuidado dos bebês, no trato com os idosos, ao organizar suas fotos, ao programar viagens, na forma de educar os filhos, no jeito de estudar, na maneira de cultivar sua fé, ao atender seus clientes, ao alegrar as pessoas ao seu redor ou simplesmente na forma como trata as pessoas em seu dia comum.

Repito: somos todos criativos.

Pare de se comparar e não bloqueie sua força criativa. Estes são ingredientes de uma Vida Plena e a base do legado que você deixará neste mundo.