Nosso cérebro evoluiu para nos manter vivos e isto inclui a habilidade de resolver coisas da forma mais rápida e com menor gasto de energia possível.

Para tanto, sentimos uma grande necessidade de manter o controle e obter garantias, o que acaba desenvolvendo em nosso mindset um forte apelo para lidar com certezas, às quais nos apegamos como um náufrago que se agarra ao que possa mantê-lo na superfície.

Em alguns casos esta metáfora é ainda mais pertinente: agarrados freneticamente às nossas certezas, mantemo-nos de fato na superfície, incapazes de aprofundar em questões que nos pedem algo mais: o concurso da intuição.

Reflita um pouco e pense nas vezes em que todas as suas convicções, todas as suas certezas se revelaram insuficientes para tirá-lo do enrosco em que se encontrava: uma indecisão, um impasse, uma grande angústia. Não poucas vezes, para decidir o que fazer ou não fazer, ir ou não ir, arriscar ou recuar, aceitar ou rejeitar, foi preciso confiar na sua intuição, não é verdade?

Grandes líderes se destacam pelo emprego da intuição em momentos incomuns.

A história nos fala de estrategistas que venceram batalhas desta forma, apelando para sua intuição nos momentos em que mais nenhum recurso lhes restava.

Mães são doutoras na matéria. Não há nenhuma delas que não tenha se valido da intuição ao menos uma vez para lidar com graves questões envolvendo seus filhos.

Mas, normalmente tratamos intuição como um polo negativo e oposto à razão e por isso mesmo, uma espécie de recurso menor.

Hoje, no entanto, já há o entendimento de que a intuição é um recurso valioso e deriva das associações conscientes e inconscientes que nosso cérebro é capaz de realizar considerando suas experiências, vivências, observações anteriores, o conhecimento acumulado e uma série de memórias arquivadas que se combinam.

Mas precisamos aprender a ouvi-la, o que também requer uma boa dose de autoconhecimento, silêncio e centramento.

Uma intuição bem “treinada” pode nos socorrer em momentos cruciais, dizendo: Siga em frente! Mas pode também, ao contrário, nos sinalizar que não tem elementos suficientes para no ajudar a tomar a decisão, pedindo prudência.

A intuição, portanto, não nos dispensa da análise racional dos fatos. Mas também não deve ser desprezada. Na verdade, pode e deve ser desenvolvida, com a condição de que lhe ofereçamos espaço, o que significa abrir mão de algumas certezas, sair do piloto automático, diminuir o ruído interno e externo, abdicar do excesso de interferências e exercitar a fé.

E por falar em fé, gosto muito da definição da pesquisadora americana Brenè Brown: “Fé é um lugar misterioso, onde encontramos coragem para acreditar no que não podemos ver e força para abandonar nosso medo da incerteza”.

Pessoas que escolheram viver a Vida Plena cultivam intuição, confiam na fé e aprendem a abrir mão da necessidade de certezas e garantias absolutas.

E você, como se relaciona com a fé e a intuição?