“Todas as grandes descobertas se baseiam em uma profunda jornada interior.”
(W. Brian Arthur- economista)

Você já reparou como nos tornamos senhores de todas as certezas?

Gestor ou colaborador, você já deve ter notado que demonstrar dúvida muitas vezes é visto como um sinal de fraqueza. De certa forma, somos treinados para reagir com a maior velocidade possível, como se estivéssemos competindo o tempo todo – e parece que estamos – mesmo quando isso não faz o menor sentido e ainda que a experiência já tenha demonstrado que esta dinâmica já nos levou a fazer muitas escolhas equivocadas.

Há quem cite as artes marciais como um exemplo excelente da importância da reação imediata, mas há uma diferença crucial a ser considerada: o estado de consciência.

Para atingir a capacidade de responder com agilidade máxima e até mesmo prever o golpe do adversário, o competidor precisa desenvolver o estado de presença plena e a mais profunda consciência de si mesmo.

Basta observar o entorno nas empresas, nas ruas, nas famílias: pessoas reativas, agindo por impulso, tropeçando em suas próprias atitudes, frustrando planejamentos, criando divisão onde se queria união, desmotivação onde se desejava comprometimento, desperdício de energia onde se buscava gerar sinergia, afastamento em vez de aproximação.

As velhas estruturas sociais estão ruindo, estão se transformando.

Nesta hora, por um lado, surgem tendências fundamentalistas, o desejo de voltar à velha ordem, porque “no meu tempo a coisa funcionava”, tentando recuperar modelos e soluções antigas que hoje já não servem.

Outros insistem em continuar fazendo o que fazem, persistindo à espera de uma alteração quase que mágica no cenário, tentando obter resultados diferentes sem mudar paradigmas, posturas, atitudes, abordagens – apenas repetindo e repetindo, apesar das frustradas tentativas.

São raros, mas já existem aqueles que propõem uma terceira via: o rompimento com padrões do passado e a construção de soluções mais sintonizadas com nossas mais altas possibilidades futuras, como diria Otto Scharmer.

O primeiro passo é justamente suspendermos estes padrões carregados de preconceitos.

Interromper julgamentos, mágoas, divisionismos, inflexibilidades e nos dispormos a ver com um novo olhar, despindo-nos de contaminadas identidades e viciadas intenções para tentar enxergar o futuro que se desenha e então pensar em novas formas, modelos, soluções adequadas a este futuro que emerge sem que possa ser contido por nossos vãos delírios e preferências.

É fácil perceber que esta não é uma propositura que se coadune com o imediatismo, e muito menos com o apego exclusivo ao nosso próprio ponto de vista.

Ela só é possível com diálogo, mente aberta, coração aberto, vontade sincera de contribuir, coragem para deixar para trás o que não serve ao bem comum – ainda que nos favoreça particularmente – e de experimentar o novo.

E não há como encarar um desafio desta magnitude sem estar plenamente presente e profundamente consciente de si mesmo.

Há uma frase atribuída a Bill O’Brien, CEO da Hanover Insurance, que para mim explica muita coisa: “o sucesso de uma intervenção depende do estado interior de quem intervém”.

Os resultados que obteremos depende do que faremos. E nossas ações são determinadas pela forma como vemos o mundo e as pessoas, nossos modelos mentais – nossos paradigmas.

Geralmente estamos conscientes do que fazemos e cientes dos resultados obtidos. Mas raramente temos real consciência do ponto interior a partir do qual operamos – nosso ponto cego – no labirinto de nosso psiquismo superficialmente administrado pelo nem sempre competente e equilibrado Ego.

É assim nas questões domésticos, nos conflitos na empresa, nas disputas políticas ou nos grandes embates internacionais.

É chegada a hora de vencer os limites da ação impulsiva e inconsciente.

É urgente silenciar o turbilhão mental e buscar o que há de mais essencial em nós, nossa Fonte de sabedoria interna. Precisamos amadurecer.

Cada um encontrará sua maneira de entrar em contato consigo mesmo, refletindo, meditando, orando, contemplando a natureza, não importa.

Desenvolver o potencial humano é retirar do invólucro (des + envolver) e fazer crescer recursos que todos temos e que jazem desprezados pelo imediatismo egoísta e inconsequente que nos impede de compreender que somos UM e estamos todos profundamente conectados, solidariamente navegando no mesmo barco, continuamente construindo a realidade que nos cerca.

Somos plenamente capazes de criar novas e melhores realidades. Compreender e aprimorar este processo criativo passa por aprendermos a acessar individual e coletivamente a nossa melhor versão.