Hoje me bateu aquele sentimento profundo de gratidão e resolvi buscar em meus arquivos uma foto sua, na tentativa singela de homenageá-la.

Não achei…

Só encontrei fotos minhas, como esta.

Desculpe, professora… a senhora é que deveria estar na foto. Cada aluno seu deveria ter em um álbum mais que especial uma foto sua, uma foto de cada professor e professora que cruzou seu caminho.

Hoje seria o dia convencionado para rever estas fotos, passar os dedos amorosamente pelas imagens e deixar-se emocionar por um misto de saudades e gratidão. Dia de fazer uma prece, cantar uma música, enviar um pensamento de “obrigado, professora” pra vocês.

Eu trago em mim um bocado da sua amorosa intervenção. Eu tenho em mim um pouco do seu olhar. Eu devo a você uma parte do que sou.

Professora, professor, me desculpem. Caminhamos tão apressada e distraidamente que nem nos demos conta do pouco que agradecemos e abraçamos cada um de vocês.

A ideia de vencer etapas, focando na chegada sem curtir a jornada, nos tornou negligentes e incapazes de perceber a dimensão dos inúmeros corações amigos e das centenas de mãos amorosas que nos conduziram em cada fase.

Terminávamos cada ano melhores do que éramos no início dele e mal nos demos conta de que os sublimes jardineiros eram vocês.

Desculpe, professora. Eu não tenho uma foto sua assim, de pertinho, mostrando seu rosto, seus olhos atentos, seu ar de preocupação, seus cabelos penteados apressadamente, suas mãos sujas de giz, seus livros, e, muito menos, um pedaço sequer de seus sonhos.

Se ainda der tempo, se ainda for possível, se não for pedir muito, aceite no dia de hoje o meu “muito obrigado”.

E por esta manifestação tardia de gratidão eu te peço mais uma vez: desculpe, professora!