Já reparou como a maioria das pessoas parece super feliz, satisfeita e bem resolvida nas redes sociais?

Se fôssemos acrescentar aos seus posts as famosas hashtags, eu sugeriria: #soufelizpracacete, #comigoningémpode, #beijinhonoombro, #nasciprálua, #eusouocara, #sougatalindaesemprefeliz, #cênãosabeoquetáperdendo, etc.

Já há estudos mostrando que tanta “felicidade” exposta vem aumentando o nível de frustração de muita gente que, por comparação, acaba concluindo que sua vida é sem graça, esquecendo-se, quase sempre, que as mídias sociais são como vitrines, onde se expõe apenas o que se quer mostrar – ou seja, apenas parte do todo.

Mas, afinal, é possível estar feliz o tempo inteiro? A tristeza é algo a ser banido da vida de uma pessoa e, mais ainda – da vida de um empreendedor / vendedor para que tenha sucesso?

Há alguns dias fui ao cinema com minha esposa assistir Divertida Mente, uma animação da Pixar/Disney, e fiquei encantado com a riqueza de lições que se pode extrair do filme, colocadas com muita inteligência e alto nível de sutilezas.

Quando a Riley, a personagem principal, é obrigada a mudar de cidade e de escola, passa por momentos de angústia, entre a empolgação pelo novo e as perdas que toda mudança provoca.
Neste momento, em sua mente, Alegria resolve isolar a Tristeza e impedir que ela se manifeste.

Alegria só queria ajudar a manter Riley sempre feliz e otimista, mas acabou provocando um grande desequilíbrio que só foi possível ser desfeito quando Alegria percebeu que a Tristeza também precisava ter seu espaço de manifestação e a recolocou no cenário mental da jovenzinha (não vou entrar em detalhes para não tirar a graça de quem ainda não foi ver o filme).

 

E o que isso tem a ver com vendas e empreendedorismo?

Empreender e vender são atividades que envolvem muito contato humano, relacionamento direto, exposição de argumentos, postura indutora, energia e tesão pela vida.

Estas são condições que só alcançamos se estivermos inteiros, o que significa saber trabalhar nossos momentos de sombra e de luz, vivenciar alguns lutos internos, administrar episódios de raiva, atravessar alguns “perrengues” sem fingir que eles não existem, aprendendo com as situações difíceis, para sair delas melhores do que antes.

Claro que isso não significa transferir seu problema para o cliente – alto lá! Ninguém merece ser atendido por pessoas mal-humoradas ou que transformam o balcão em muro de lamentações.
Este é um trabalho íntimo e só deve ser compartilhado com quem realmente importa e se importa, como as pessoas que te amam e te dão suporte emocional.

Mas para não fechar esta reflexão sem falar mais especificamente de Felicidade, vou destacar dois pontos importantes.

1 – Felicidade Condicionada versus Felicidade Incondicional

Geralmente nos prendemos àquela felicidade que é condicionada a eventos externos: serei feliz quando conseguir isso ou aquilo, quando alcançar tal objetivo, quando fulano voltar para mim, quando eu receber um elogio, quando eu for àquela festa e outras situações que possuem grande potencial de ansiedade e tensão, pois a vida nem sempre segue o caminho que desejamos.

Mas há uma fonte de felicidade pouco valorizada, inata e incondicional, que nos é dada por Deus, pelo Universo, pela Vida (como queiram) e que se encontra em nós, manifestando-se quando lhe oferecemos as condições para fluir livre e generosamente.

Neste mundo excessivamente plugado e barulhento, esta fonte é muito pouco acessada, pois requer silêncio interior, sensibilidade, ampliação da mentalidade, confiança, humildade, encontro consigo mesmo – coisas que até então eram consideradas tolices da religião e que hoje a ciência vem confirmando.

2- Depende muito de você também!

Grandes cientistas sociais e neurocientistas constataram que pessoas muito ligadas à felicidade condicionada, pouco tempo depois de conseguirem o que tanto almejavam, logo encontram outros motivos para se julgarem infelizes de novo.

Descobriram pessoas e comunidades que possuem uma espécie de inteligência emocional que as mantém em estado de otimismo e felicidade mesmo em situações de grande dificuldade material, atravessando problemas de saúde ou enfrentando catástrofes naturais.

Chegaram à conclusão que 50% da nossa capacidade de sermos felizes está ligada a características genéticas e só 10% se prende de fato a fatores externos (!).

E o mais importante: 40% depende de nós – corresponde a ações intencionais, coisas que podemos fazer.

E embora não exista a fórmula da felicidade, as pesquisas indicam algumas práticas que podem ajudar você a aumentar seu bem-estar e construir sua felicidade autêntica.

Brincar, dedicar tempo a fazer algo que gosta muito, praticar exercícios físicos, manter contato com a natureza, cultivar o relacionamento próximo com amigos e entes queridos, fazer coisas boas juntos, sentir e expressar gratidão pelo que se tem – em vez de “o que me falta?”, perguntar “o que tenho e posso dividir?” – fazer coisas significativas e preocupar-se de coração com algo ou alguém além de você mesmo.

E quando alguma grande adversidade acontecer, considere: “o que eu tenho a aprender com isto?”. Não se apegue à dor e ao luto. Deixe que venham, mas deixe que passem também.

Obviamente uma pessoa realmente mais bem resolvida, de bem consigo mesma e em sintonia com a Vida torna-se mais produtiva. Apresenta aquele brilho no olhar e uma força interior que se manifesta positivamente em suas ações empreendedoras – o que no mercado a gente chama de diferencial competitivo.

Faz sentido pra você?